Thursday, December 31, 2009

LUTO- funeral do ontem

Ao meu pesar ou alento desprezo, findo ao nascer da morte e sem convento.
Suplanto dor no que deixei e razão no meu deixar, fito afrente o futuro sem meu olhar se desviar. E foi longamente tarde e curto sua presença, nos momentos de prazer, tédio ou sofrimento. Lágrimas correm do meu rosto ao cortejo da noite, são 23h59 min e se foram todos.
Um minuto de silêncio transcorreu em sua entrada, vozes ascenderam do nada em torno dessa jornada, os segundos se passaram e logo tudo mudou, vi todos se abraçando e depois você falou:

Feliz ano-novo!!!

Saturday, November 7, 2009

Misantropia

Não posso ignorar a verdade.
Não posso alcançar o alto brilho que seu olhar decorre diante do meu, nem ao menos respirar delicadamente e inclinar minha cabeça pra trás, não sentir nada e nem fingir entender, não cuspir porcarias e nem me submeter ao vácuo de mim mesmo.
Tentei por diversas vezes justificar minha falta de atenção, quase não tão solitária, nem que isso contorne ao futuro sem rumo, sem esperança e tendo a certeza de sempre dizer: adeus!

Minha auto indulgência se revela constante em minhas 'obrigações', e para muitos há um sacrifio, há uma ponte que separa por completo o mecanismo sentimental do conservativo, do puramente pragmático em não saber me infiltrar em seu mundo, tão longe...
Essa minha 'reserva', minha desapropriação de mim mesmo se realiza ao todo, e se completa em não satisfazer o próximo, talvez egoístico de minha parte, talvez sombrio de outra, mas é minha maneira de viver.
Há alicerces que suportam muito mais temores na vida, e acredito que o meu esteja já suficientemente forte em seguir em frente, mesmo sabendo que estará prestes a cair sem você.

Thursday, October 15, 2009

Hospital Psiquiátrico

Alguém disse um dia que o projeto é o rascunho de nossa vida.
Por isso minha vida é um rascunho constante...

Moradia transitória
Dos internos, obrigatória!
Institucionaliza com pungência
O controle medical - diz-se o Tal

Luta hodierno pela escuta ao interno
E a mediação de um acompanhante
Que o ajude a se adaptar à sociedade.

Afinal, o bom senso crê
Que qualquer coisa é melhor
A possuir como endereço
Domiciliar a rua do hospital:
*Alienação esclarecida

*parodiando o Despotismo Esclarecido
→ discurso externo: proteção do doente
→ discurso interno: controlar o preterido

Sunday, August 30, 2009

Análise Institucional - estudo I


O Institucionalismo não é uma ciência, uma disciplina ou uma tecnologia, pois é um processo permanentemente em construção, autocrítica e reformulação versáteis dependentes do devir e não um saber instituído, cristalizado, estático como uma teoria científica, por exemplo.

Ao decorrer da história, o saber e o saber-fazer produzidos pelos povos primitivos e leigos foram desqualificados, mistificados pelo poder das elites, gradualmente até chegar ao excesso atual, persuadindo a comunidade de que só o saber científico, acadêmico, que dá status funciona e de que se precisa depender deles para tudo a fim de manter o coletivo alienado e mais facilmente manipulável.

A divisão social e técnica do trabalho e do saber consiste em separar e colocar escalas de valores entre tarefas corporais e intelectuais, tarefas do campo e da cidade, tarefas masculinas e femininas, etc. e consequente subordinação de uns a outros e frequentes abusos conforme a valoraçãodominante estipulada, detentora dos recursos, o que gera constantes conflitos e fez surgir a necessidade e utilidade do movimento instituinte. Este aparece através das atividades críticas, inventivas e transformadoras, parte do devir das potências e materialidades sociais para a otimização das organizações.

Os propósitos da Análise Institucional apóiam-se fundamentalmente nos processos de autogestão e auto-análise, o fazer consciente dentro do possível a cada ato do cotidiano e a busca constante dessa consciência com o objetivo de se ser produtivo e "vacinado" contra os abusos de poder, alienação, manipulação.

Embora aparentemente simples, o grau de sua complexidade é proporcional à sua flexibilidade e expectativa de possibilidades e limitações imprevisíveis inéditas, ousando arriscar na aposta da invenção de soluções a qualquer tempo e lugar. Não há relação alguma com anarquia de técnicas, mais ao contrário, demanda um senso de curiosidade e estudo amplo e constante do máximo de técnicas e teorias possíveis para que haja uma preparação satisfatória pra tal arriscado campo prático.


(continua...)
~

Sunday, July 19, 2009

las cuatro tesis del esquizoanálisis



Tal como lo formulan Deleuze y Guattari en 1972:


1) Toda catexis es social y de cualquier modo re-conduce a un campo social-histórico.

2) Las catexis sociales se distinguen en catexis libidinal inconsciente de grupo o de deseo y las catexis preconscientes de clase o interés.

3) Tanto de hecho como de derecho hay una primacía absoluta de las catexis libidinales del campo social sobre las catexis familiares.

4) La catexis libidinal social se distingue en dos polos: el polo paranoico, reaccionario y fascista y el polo esquizoide revolucionario.


Estas cuatro tesis recuerdan que hemos olvidado lo esencial:

" la sociedad es esquizofrenizante a nivel de su infraestructura, de su modo de producción de sus circuitos económicos capitalistas más precisos y que la libido carga este campo social, no bajo una forma en la que éste estaría expresado y traducido por una familia-microcosmos, sino bajo la forma en la que hace pasar la familia sus cortes y sus flujos no familiares, cargados como tales; luego, que las catexis familiares siempre son un resultado de las catexis libidinales social-deseantes, únicas primarias; por último, que la alienación mental remite directamente a estas catexis y no es menos social que la alienación social, que remite por su cuenta a las catexis preconscientes de interés."



Sunday, June 28, 2009

esquizoanálise x psicanálise a partir de Mil Platôs(impressões)


A obra Mil Platôs "O Anti-Édipo tinha uma ambição kantiana: era preciso tentar uma espécie de crítica da razão pura no nível do inconsciente." (DELEUZE e GUATARRI, 2004:

temas fundamentais:

1- Substituição da idéia do inconsciente enquanto teatro pela idéia de inconsciente como usina (questão de produção de inconsciente e não de representação de conteúdos do inconsciente).
2- O delírio é histórico-mundial, não familiar: deliram-se raças, tribos, culturas, organizações, posições sociais, etc.
3- Existe uma história universal, que não é a da necessidade, e sim da contingência (DELEUZE e GUATARRI, 2004

"O projeto é construtivista" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 08)

Maio de 68

"Sonhávamos em acabar com Édipo" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 07)

constituir um pensamento que se efetue através do "múltiplo" - e não a partir de uma lógica binária, dualista, do tipo "um-dois", "sujeito-objeto", que se efetue por dicotomia, tal como vemos na psicanálise, na lingüística e na informática -, de modo a construir uma teoria das multiplicidades que fosse imanente, que colocasse propostas concretas de pensamento ao invés de simplesmente se limitar à crítica da psicanálise.

izoma→ pensar as multiplicidades por elas mesmas, visto que o fundamento do rizoma é a própria multiplicidade. Vejamos a definição dada pela botânica:

"Em botânica, chama-se rizoma a um tipo de caule que algumas plantas verdes possuem, que cresce horizontalmente, muitas vezes subterrâneo, mas podendo também ter porções aéreas. O caule do lírio e da bananeira são totalmente subterrâneos, mas certos fetos desenvolvem rizomas parcialmente aéreos. Certos rizomas, como em várias de capim (gramíneas), servem como órgãos de reprodução vegetativa ou assexuada, desenvolvendo raízes e caules aéreos nos seus nós. Noutros casos, o rizoma pode servir como órgão de reserva de energia, na forma de , tornando-se tuberoso, mas com uma estrutura diferente de um tubérculo ."

Para D&G, este tipo de caule em conjunto com a terra, o ar, animais, a idéia humana de solo, a árvore, e etc formariam o rizoma, não se limitando apenas à pura materialidade, mas também à imaterialidade de uma máquina abstrata que o arrasta, sendo, portanto, um conceito ao mesmo tempo ontológico e pragmático de análise.

Rizoma
"Um platô está sempre no meio, nem início nem fim. Um rizoma é feito de platôs." (DELEUZE e GUATARRI, 2004:

Um rizoma é uma segunda espécie de conjunto de linhas. Um primeiro conjunto de linhas é aquele no qual uma linha é subordinada ao ponto, à verticalidade e horizontalidade, que estria o espaço, faz um contorno, submete multiplicidades variáveis ao Uno, ao Todo de uma dimensão suplementar ou suplementária. As linhas deste tipo são as linhas molares, e formam sistemas binários, arborescentes, circulares e segmentários .

Um rizoma é totalmente diferente deste primeiro tipo de linhas, o rizoma não é exato, mas um conjunto de elementos vagos, nômades, de maltas e não de classes: "Do ponto de vista do pathos, é a psicose e sobretudo a esquizofrenia que exprimem estas multiplicidades." (DELEUZE e GUATARRI, 1997: 221)

"não há universalidade da linguagem, mas sim um concurso de dialetos, de patoás, de gírias, de línguas especiais. (...) A língua é, segundo uma fórmula de Weinreich, "uma realidade essencialmente heterogênea". Portanto, é impossível pensar em "uma língua-mãe", mas somente em uma "tomada de poder por uma língua dominante dentro de uma multiplicidade política" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16).

"A árvore lingüística à maneira de Chomsky começa ainda num ponto S e procede por dicotomia" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15), sendo assim "um marcador de poder antes de ser marcador sintático". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15) Tais modelos não dão conta nem da abstração nem da materialidade da língua,

"por não atingir a máquina abstrata que opera a conexão de uma língua com os conteúdos semânticos e pragmáticos de enunciados, com agenciamentos coletivos de enunciação, com todo uma micropolítica do campo social." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15)