Sunday, July 19, 2009

las cuatro tesis del esquizoanálisis



Tal como lo formulan Deleuze y Guattari en 1972:


1) Toda catexis es social y de cualquier modo re-conduce a un campo social-histórico.

2) Las catexis sociales se distinguen en catexis libidinal inconsciente de grupo o de deseo y las catexis preconscientes de clase o interés.

3) Tanto de hecho como de derecho hay una primacía absoluta de las catexis libidinales del campo social sobre las catexis familiares.

4) La catexis libidinal social se distingue en dos polos: el polo paranoico, reaccionario y fascista y el polo esquizoide revolucionario.


Estas cuatro tesis recuerdan que hemos olvidado lo esencial:

" la sociedad es esquizofrenizante a nivel de su infraestructura, de su modo de producción de sus circuitos económicos capitalistas más precisos y que la libido carga este campo social, no bajo una forma en la que éste estaría expresado y traducido por una familia-microcosmos, sino bajo la forma en la que hace pasar la familia sus cortes y sus flujos no familiares, cargados como tales; luego, que las catexis familiares siempre son un resultado de las catexis libidinales social-deseantes, únicas primarias; por último, que la alienación mental remite directamente a estas catexis y no es menos social que la alienación social, que remite por su cuenta a las catexis preconscientes de interés."



Sunday, June 28, 2009

esquizoanálise x psicanálise a partir de Mil Platôs(impressões)


A obra Mil Platôs "O Anti-Édipo tinha uma ambição kantiana: era preciso tentar uma espécie de crítica da razão pura no nível do inconsciente." (DELEUZE e GUATARRI, 2004:

temas fundamentais:

1- Substituição da idéia do inconsciente enquanto teatro pela idéia de inconsciente como usina (questão de produção de inconsciente e não de representação de conteúdos do inconsciente).
2- O delírio é histórico-mundial, não familiar: deliram-se raças, tribos, culturas, organizações, posições sociais, etc.
3- Existe uma história universal, que não é a da necessidade, e sim da contingência (DELEUZE e GUATARRI, 2004

"O projeto é construtivista" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 08)

Maio de 68

"Sonhávamos em acabar com Édipo" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 07)

constituir um pensamento que se efetue através do "múltiplo" - e não a partir de uma lógica binária, dualista, do tipo "um-dois", "sujeito-objeto", que se efetue por dicotomia, tal como vemos na psicanálise, na lingüística e na informática -, de modo a construir uma teoria das multiplicidades que fosse imanente, que colocasse propostas concretas de pensamento ao invés de simplesmente se limitar à crítica da psicanálise.

izoma→ pensar as multiplicidades por elas mesmas, visto que o fundamento do rizoma é a própria multiplicidade. Vejamos a definição dada pela botânica:

"Em botânica, chama-se rizoma a um tipo de caule que algumas plantas verdes possuem, que cresce horizontalmente, muitas vezes subterrâneo, mas podendo também ter porções aéreas. O caule do lírio e da bananeira são totalmente subterrâneos, mas certos fetos desenvolvem rizomas parcialmente aéreos. Certos rizomas, como em várias de capim (gramíneas), servem como órgãos de reprodução vegetativa ou assexuada, desenvolvendo raízes e caules aéreos nos seus nós. Noutros casos, o rizoma pode servir como órgão de reserva de energia, na forma de , tornando-se tuberoso, mas com uma estrutura diferente de um tubérculo ."

Para D&G, este tipo de caule em conjunto com a terra, o ar, animais, a idéia humana de solo, a árvore, e etc formariam o rizoma, não se limitando apenas à pura materialidade, mas também à imaterialidade de uma máquina abstrata que o arrasta, sendo, portanto, um conceito ao mesmo tempo ontológico e pragmático de análise.

Rizoma
"Um platô está sempre no meio, nem início nem fim. Um rizoma é feito de platôs." (DELEUZE e GUATARRI, 2004:

Um rizoma é uma segunda espécie de conjunto de linhas. Um primeiro conjunto de linhas é aquele no qual uma linha é subordinada ao ponto, à verticalidade e horizontalidade, que estria o espaço, faz um contorno, submete multiplicidades variáveis ao Uno, ao Todo de uma dimensão suplementar ou suplementária. As linhas deste tipo são as linhas molares, e formam sistemas binários, arborescentes, circulares e segmentários .

Um rizoma é totalmente diferente deste primeiro tipo de linhas, o rizoma não é exato, mas um conjunto de elementos vagos, nômades, de maltas e não de classes: "Do ponto de vista do pathos, é a psicose e sobretudo a esquizofrenia que exprimem estas multiplicidades." (DELEUZE e GUATARRI, 1997: 221)

"não há universalidade da linguagem, mas sim um concurso de dialetos, de patoás, de gírias, de línguas especiais. (...) A língua é, segundo uma fórmula de Weinreich, "uma realidade essencialmente heterogênea". Portanto, é impossível pensar em "uma língua-mãe", mas somente em uma "tomada de poder por uma língua dominante dentro de uma multiplicidade política" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 16).

"A árvore lingüística à maneira de Chomsky começa ainda num ponto S e procede por dicotomia" (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15), sendo assim "um marcador de poder antes de ser marcador sintático". (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15) Tais modelos não dão conta nem da abstração nem da materialidade da língua,

"por não atingir a máquina abstrata que opera a conexão de uma língua com os conteúdos semânticos e pragmáticos de enunciados, com agenciamentos coletivos de enunciação, com todo uma micropolítica do campo social." (DELEUZE e GUATARRI, 2004: 15)

Tuesday, June 9, 2009

O incessar


Eu ia pela estrada do acaso

Quando apareceu o carro vermelho

Com as vidraças foscas, jogando água

Nas pessoas da calçada enlameada


Seu jeito tão grosseiro e mal-educado

Cantando pneu e acelerando o máximo

Lá ia o carro, sádico janota

Pequena cena, infantil agir


Atormenta meu pensamento vago

Silenciando o fogo do acaso

Inicia a orgia desenfreada


Selvagens jovens ébrios e mimados

Desfazem a arte do ser e estar

Acaba o gargalhar ao vomitar



Tuesday, May 12, 2009

Desditas



Lágrima interna polui a circulação sanguínea, entope os poros, corrói a carne. Expressa a angústia de nem se conseguir libertar pelos olhos, perdida num meio ardido, putrefato vivo. Atinge os neurônios, contamina o humor, acarreta comportamento sofredor. E no auge do entorpecimento, ajunta-se com pedaços de alimentos ruminados e explode num forte fluxo seguindo a trilha da garganta e expulsando ar, dor, líquor pela podre boca desmielinizada.

Estreitíssimo caminho o da felicidade perene. Difícil até de enxergá-lo e distingui-lo de início. Grande tristeza é saber que a Felicidade está logo ali, logo aonde não se alcança mais, mas se observa-a distanciando, sem o menor remorso. Limitado é o espírito, e tão desconhecida quanto facilmente ativada sua capacidade de demolição. Como se o eixo da razão fosse uma finíssima linha para se equilibrar sobre, e qualquer movimento em falso, cai-se no obscuro plano quadridimensional da desrazão cruel e infeliz.

Desventura insólita acomete sem predição, suprimindo qualquer pretensa esperança de ajuda. Todos os pontos de apoio dissolvem-se como gelatina na água, nem uma fina ponta a se agarrar no desespero por respirar.

Ainda diz-se justa tal vida terrena, atos e reações. Só se for fora do alcance da vista, do olfato, do tato.
Só vê-se sangue, miséria, fome, desemprego, drogas e droga de dor. Se o colchão pudesse ser confortável o suficiente para que nada o atingisse...

Cérebro aminhocado, feio e desmiolado. Puxa o nervo que enraivece e o tortura até a morte, despedaça-o e joga-o no abismo negro interminável. Acaba energia com o mundo e destrói todas as pessoas, sem dó ou compaixão, sem esquecer que nem merecem caixão. Que seus corpos apodreçam nos bicos dos urubus e não os causem muita indigestão.

Pessoa única deve morrer por provocar perda de alma em alguém que tem o direito de respirar e expressar-se. Pensamento, vontade, imaginação mataram pessoa responsável por contaminação de angústia em quem experimentou seu fruto. Pessoa carregada e maliciosa morreu ao enfrentar perigo conseqüente de suas brincadeiras de humor negro sobre inocentes vulneráveis

Amizade não existe, é manipulação de algum interesse revestido de ideais irreais. Aprender essência de viver implica decair do sonho bonito ao concreto feio e assumir castigos injustos inúteis para satisfação supérflua de criadores perversos marajás. Escolha do irracional mostra-se racional ante a lógica da sociedade e seus efeitos comportamentais na Alta modernidade.

Vozes ensurdecedoras, vozes ameaçadoras, risos escarninhos, pânico absurdo. Sensação de despedaçamento adicionada de raiva cancerígena de gozações mil e medo dos atos imprevisíveis de infinitos eus momentâneos de cada espaço universal que ocupa o ser em seu estado mais sensível, indômito, inapreensível. Vida leva como pode e que tem e consegue só não queria que fosse tão pesado, não talvez pensado devido ao ato falho e incômodo.

Wednesday, April 8, 2009

Anônima Mente





A mente divaga sem conseguir prender muita atenção `a realidade formal, colorida e concreta. Diversos pensamentos vêm e vão, amontoados, enodados, atropelados por milhares de outros nesta dimensão sem leis nem coerência - a consciência, no entanto não muito ciente nem consciente, pois quão frequente é encontrar bagagens trafegando que até então eram completamente desconhecidas e surge a pergunta de como estavam ali se não foram reconhecidas. Ou melhor, como surgiram, de onde e como chegaram ali. O tipo de pensamento que só uma mente insana e despregada e desinteressada das vivências objetivas um mínimo que seja poderia chegar à pueril 'falta do que fazer' para o criar. Amedronta a possibilidade desse desinteresse crescer a ponto de se passar ao inferno psicótico com as montanhosas tempestades de oscilação de humor, pensamento, sentimento até sucumbir no comportamento.


"O horror é o súbito distanciamento e retração do mundo sensível, sem deixar nada. Só trapos."
(Sylvia Plath)

Thursday, March 19, 2009

O Avião/ O Vermelho/ O Horizonte

Dia radiante. Agora o sol se põe, avermelhado, no cerrado. Um disco rubro, pegando fogo, e queimando os buritis, os ipês – tão floridos no inverno seco! – e a grama.

Ah, quanta palha pelo chão! Mas isso há de passar, simplesmente porque o tempo passa e os ciclos se sucedem.
O grande astro desaparece no horizonte.
Sempre ouvi falar que depois do horizonte reside a esperança. Mas acho que no horizonte do cerrado está aquilo que persegui por anos: o Futuro.
Viver o presente. Esse é o lema de hoje: a telinha diz “Hoje!”, a telona diz: “Hoje!”, as letrinhas em papel de embrulhar carne dizem “Hoje!”, os grandes cartazes que induzem os incautos ao uso (desmedido? não, claro que não, no Hoje tudo é relativo) do tão rico meio de troca dizem: “Hoje!”. Aliás, nunca o Hoje foi tão metalingüístico.
Porque no nosso hoje se vive o Hoje. O Futuro, aquele tão épico e esperado, não se busca mais, não se procura mais, coitado. Essa é a verdade.
O Futuro é discriminado.
E cá venho eu, em busca desse ser abstrato flagelado por preconceitos.
Venho eu espreitar entre o dançar sibilante das curvas brancas e sensuais, na dureza desconcertante e fulgurante do concreto armado, nas duas alvas metades da laranja, no grande meteoro pousado na água (rara!) emoldurado pelos arcos da vitória, uma espécie de salvação para o corpo e para o espírito. Uma salvação que não salve somente a minha alma, mas que faça decolar o avião. O avião que vai rumo ao horizonte da grande terra da madeira vermelha.
Olha aí, ele de novo, o horizonte.
O Hoje me atrai. Defeito? Não, sou produto dele. Não vou ser hipócrita. Não mesmo. Mas o Futuro virá inexorável.
E quero que o meu Hoje prepare os Hojes do Futuro. É, então, é o barro vermelho em que piso todos os dias, as torres apontadas para o celeste que brotam dele a cada dia, o lago que represa as minhas velhas angústias e não permite que me invadam de novo. 209 motivos, 714 razões para eu encontrar aí o meu Norte (ou será o meu Sul? Ou talvez o meu Sudoeste? Non non, beaucoup trop nouveau-riche pour moi !)
Por isso o busco, incansavelmente, a esse Futuro. Por isso o busquei por toda a vida. Sim, encontrei-o aqui.
O avião vermelho é meu futuro. E o meteoro que nele caiu, foi o que nele me salvou. Nele encontrei meu horizonte.

Ele, mais uma vez.