Friday, July 9, 2010

13/06/10 Hell of HEAL, first day



Muito frio, muita gente
Arrepio neste ambiente deprimente
Uma, ao menos, surpresa agradável
Na cama havia três versos ao lado

Enfermaria, economia, convênio
Seis camas e moças simpáticas
Os versos alentaram minha prática
Para sobreviver esse inferno e sem arsênico

Tocou meu coração;
'A estrela cadente
Me caiu ainda quente
Na palma da mão'

Tantos estímulos a se entregar
Ao ócio, excesso de remédios, retrocesso
Mais luta e energia exigem neste tranco
Pra driblar tamanho desgaste do processo

Assistir a pessoas tristes a lamentar
Ansiosas por sua história contar
Cada qual com seu drama singular
O que fazem? É fumar, fumar, fumar…

Há algo pior que esse contexto?
Reinando a neurastenia e o deteriorar
Ao exterior, nem existem e sentem dor
De verem o desperdício de suas vidas, sob cabresto

Thursday, May 20, 2010

Além da imaginação

Enquanto o papel sorria e a pena deslizava entre os dedos
Sacudi a poeira das lembranças mais recôndidas
Encontrei arrepios, sensações extravagantes e suaves
Juntei os pedaços espalhados, sem-sentido
Inventei outro planeta, loucamente impossível

Parada frente aos redemoinhos de ventos frios e cinzas
Cantei com os passarinhos, voei pela imensidão do céu
Peguei um giz de cera e logo colori minhas asas
Adornei com brilhantina e festejei dando gargalhadas

O dia durava meses de muita correria e aprendizagens
Então surgia a noite, que ficava cerca de algumas semanas
Sempre chovia quando a tristeza aparecia
Mas o alegre arco-íris renovava a alma e o ar
E tudo o mais era magia, fantasias reais a encantar

Monday, March 8, 2010

Ilhas


ilusão da infância, pensava falar
mas no espelho aprendia era calar
cultura do feio expor as emoções
mutilou meia vida, duros arpões

a nota da prova da vida foi
decepção, vergonha da identidade
dilacera a liberdade, corrói
compota de venenos por vaidade

onde estou? onde fui? abismo vil
lá onde carece a paz e o viver
com alegria, vôos altos e esparecer

não, é baixo, treva cega se viu
fantasia azul de lagos em luz
inexiste, sonho que a águia conduz 

Thursday, December 31, 2009

LUTO- funeral do ontem

Ao meu pesar ou alento desprezo, findo ao nascer da morte e sem convento.
Suplanto dor no que deixei e razão no meu deixar, fito afrente o futuro sem meu olhar se desviar. E foi longamente tarde e curto sua presença, nos momentos de prazer, tédio ou sofrimento. Lágrimas correm do meu rosto ao cortejo da noite, são 23h59 min e se foram todos.
Um minuto de silêncio transcorreu em sua entrada, vozes ascenderam do nada em torno dessa jornada, os segundos se passaram e logo tudo mudou, vi todos se abraçando e depois você falou:

Feliz ano-novo!!!

Saturday, November 7, 2009

Misantropia

Não posso ignorar a verdade.
Não posso alcançar o alto brilho que seu olhar decorre diante do meu, nem ao menos respirar delicadamente e inclinar minha cabeça pra trás, não sentir nada e nem fingir entender, não cuspir porcarias e nem me submeter ao vácuo de mim mesmo.
Tentei por diversas vezes justificar minha falta de atenção, quase não tão solitária, nem que isso contorne ao futuro sem rumo, sem esperança e tendo a certeza de sempre dizer: adeus!

Minha auto indulgência se revela constante em minhas 'obrigações', e para muitos há um sacrifio, há uma ponte que separa por completo o mecanismo sentimental do conservativo, do puramente pragmático em não saber me infiltrar em seu mundo, tão longe...
Essa minha 'reserva', minha desapropriação de mim mesmo se realiza ao todo, e se completa em não satisfazer o próximo, talvez egoístico de minha parte, talvez sombrio de outra, mas é minha maneira de viver.
Há alicerces que suportam muito mais temores na vida, e acredito que o meu esteja já suficientemente forte em seguir em frente, mesmo sabendo que estará prestes a cair sem você.

Thursday, October 15, 2009

Hospital Psiquiátrico

Alguém disse um dia que o projeto é o rascunho de nossa vida.
Por isso minha vida é um rascunho constante...

Moradia transitória
Dos internos, obrigatória!
Institucionaliza com pungência
O controle medical - diz-se o Tal

Luta hodierno pela escuta ao interno
E a mediação de um acompanhante
Que o ajude a se adaptar à sociedade.

Afinal, o bom senso crê
Que qualquer coisa é melhor
A possuir como endereço
Domiciliar a rua do hospital:
*Alienação esclarecida

*parodiando o Despotismo Esclarecido
→ discurso externo: proteção do doente
→ discurso interno: controlar o preterido